sábado, 28 de dezembro de 2013

Pequeno devaneio literário?

A leitura escapa em feixes de concentração lesada. Preto, branco, preto, branco. Minha concentração listrada bagunça e isola de luz determinadas letras, linhas. Terminei o parágrafo e terei de retornar, parece que nem li. Depois eu vejo... A fadiga carrega nos membros a ausência de movimento e foco. Assim como nos olhos. Fito sem ver. Quanto disso vai para o inconsciente construir o onírico tardio? Parece que fui surrada ou que passei a noite inteira soluçando água. É como se algo horrível tivesse se dado... Mas o aroma de ferro só ficou em mim.

Bianca Nuche

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 12

Antes tarde do que nunca... O texto abaixo é um reflexão feita pela Jéssica em um dos nossos ensaios... Já perdido no tempo... Mas como as reflexões permanecem, vale a pena dividi-lo com todos...

RETROCESSO

A atualidade vivida no campo artístico em geral tornou-se algo copiado e superficial, não há mais a pulsão, a entrega ou a perda da consciência na tentativa de adquirir a mesma. Com isso, e devido a isso, o processo torna-se praticamente imutável. Pensando em Nietzsche, acho um ator da antiga tragédia grega reconheceria nossos grandes poetas como verdadeiras estátuas. Isso porque essa camada superficial não permite que haja a real entrega, a perda do ser e o encontro com o personagem.
O coro representava a alma do teatro grego, mas isso só pode ser entendido como algo mais amplo e profundo, algo que não cabe mais no teatro atual, tampouco na tragédia representada na Grécia, pois a essência foi perdida, seja por deformidades causadas pelo tempo ou por vestígios socráticos.
O teatro não será o mesmo até que haja a desconscientização e a entrega de todos os meios artísticos envolvidos. Para que haja evolução, será preciso o retrocesso.

Jéssica Leandro

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Devaneio urbano...

OBSTRUÇÃO

O transporte treme e respiro sua fumaça, sinto sua vibração enganchando-se em meus nervos e pesando meus ombros, tensão. Ouço a música da rua, a orquestra de luzes vermelhas e amarelas, de buzinas e de todo o cheiro que me deixa sem ar. A propaganda da cola no veículo à frente é também vermelha e amarela, assim como o restaurante que passa. Imagino meus pulmões se enchendo de gasoso negro e emitindo o som de asas que morrem. Não é possível que isso seja só mais um dia normal. As filas estão todas cheias desses insetos que as respeitam vagarosamente. Em sua obediência e integração a elas todos ficam com as costas tão enganchadas que são puxados até o chão, até deitarem e se tornarem um monte de pó dentro de mais uma caixa semelhante aos seus insetos com lanternas. Ou até que suas asas petrifiquem. O congestionamento impede todas as vias. O trânsito se faz lento até que o pulsar interno fique tão pressionado que imploda o ser. Os carros enfartam a rodovia. O asfalto pesa doente de tensão. O espaço treme com a sinfonia humana. Quero vomitar e chorar para ver se encontro espaço. Se expulso tudo isso de dentro. Para variar tudo se faz em primeira pessoa, mas até o resto das pessoas me parece ser colaborador e causador da falta de espaço que sinto. Passam também como os motores e a dualidade tonal. Presentes nos lugares como vítimas. Patrocinando a continuidade aguda com sua quietude. Mas o que gritar se a garganta sufoca tudo até em mim? Não é uma busca por culpa, mas por um fim. Enjoo. O relógio re-re-revisitado. O tempo parece mais importante quando está sufocado no espaço e velocidade. Começo a tossir. Forço a tosse e acabo expelindo pela boca gasolina. Meus olhos estão vermelhos e minha pele cinza. Meus órgãos começam a vazar para os poros minha verdadeira aparência. Medíocre. É assim que eu me encaixo nas linhas retas que criamos. Meu rosto pipoca pontos pretos e se eu vomitar vai ser ácido vermelho e amarelo. Meus ouvidos nem sequer escutam mais qualquer coisa que não seja o enfarte do mundo. O rio espumando lixo acompanha minha trajetória. Será que se eu chorar ainda serão lágrimas? Ou meu choro vai ser também feito do esgoto, da merda e da deterioração de todos? 4% da bateria. A lentidão me agarra e abaixa e eu quero esquecer tudo. Ainda vai demorar para que eu saia daqui. 2%. Me vem à mente todos os buracos e vias do meu corpo parados e secos e não me sinto natural. Um animal maquinizado e maquinizador. Ritmificando o mundo em sons tonais e vagarosos. O motor apita a pressão. Chato, triste, estridente. 1%. Meu corpo paralisado e desconsiderado como se nem existisse. Minha consciência domina tudo e as pessoas começam a reclamar. Reclamam do dia da semana apenas. Segunda ira. Segunda feira. Tem um alarme apitando… Mas é só mais um início de s


Bianca Nuche

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Busca ou devaneio?

O processo de montagem do espetáculo MINHA CIDADE NATAL está levantando entre nós uma série de questões...
Em um dos nossos encontros, a Bianca Nuche nos trouxe a imagem de uma obra do artista polonês Paul Kuczynski, que relacionamos com o quadro 2 do espetáculo, intitulado A CIDADE DAS PERDAS PROGRAMADAS...


Será?...
Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho desse fantástico artista, basta acessar a página do artista



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 11

Depois de um tempo sem publicar nada sobre o processo de montagem do espetáculo MINHA CIDADE NATAL, devido a alguns problemas de percurso, estamos voltando com as nossas reflexões, com os nossos conflitos...
Mais um brainstorm sobre um ensaio... Ou será que não?

TEXTOS REPARTIDOS

Crise!
Sombra!
Exclusão!
“Sentimento(s) vivenciado por algumas pessoas”.
“A relação cidadão, metrópole e gestão é algo conturbatório”.
Vivemos numa metrópole recheada de contradições, fazer e discutir possibilidades artísticas é um prato cheio, mas as contradições não estão somente no campo das ideias, invadem outros hemisférios do inconsciente e, infelizmente vem complementada com ações de cooptação do pensamento. Éééé isso mesmo!! Aqui sequestram o seu pensamento e o pagamento é sua passividade, sua entrega ou silêncio ao completo caos. O que resta para os que conseguem escapar deste sequestro? Sombra, Exclusão, Crise...

A minha cidade natal sofre com as consequências deste mundo cão, da personificação dos pequenos poderes, uma hora mendigando espaço, outra tentando convencer que as coisas podem ser diferentes e podem; Há solução para a cegueira branca? Pelo que percebemos hoje, não há. (pausa profunda).

O que é esta sombra que persiste em nos encobrir? Uma névoa que nos acompanha sempre e o pior são pessoas que se apegam aos pequenos raios de sol, mas que nada fazem, não aquece, não alimenta e tão pouco traz alguma luz capaz de iluminar novos caminhos ou possibilidades. Estão nos dividindo e batemos palmas para isso. Que ótimo, que seja assim... Nãoooo! Não dá, não quero ficar olhando para o céu na expectativa de um facho de luz que só me gera angústia. 

Franklin Jones

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Reflexão histórica em imagens

O quadro abaixo foi pintado a 6 mãos... Em uma experiência bastante peculiar, 3 artistas resolvem, a partir de estímulos sonoros-visuais-sensoriais, transmutar pulsões e impressões em imagens impressas na tela...


Visitando Kubrick - a odisseia dez anos depois
Bianca Nuche / Carolina Orellana / Roman Lopes

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Versos saudosos...

O CANTO DA SEREIA

Caminho pela praia de água cristalina,
Transparente como se fosse feita
Com milhares de grãos de diamante.
A luz branca e mágica do sol
Faz brotar minúsculos arco-íris do chão.
Caminho nas nuvens, em busca do pote de ouro.
Mergulho nas cores que me envolvem por inteiro.
A dureza do diamante acaricia a minha pele
Como delicada seda do Oriente,
Numa massagem fantástica
Que me faz sonhar até a exaustão.
Olho para o mar, espelho de cristal.
A luz do sol o transforma
Em um belo tapete de neve.
Impulsionado por uma canção
Que brota do meu interior,
Caminho pelo tapete que me envolve com seu calor.
Aos poucos percebo uma imagem.
A canção que sai de mim está nela,
A brancura da neve do tapete
Cobre todo o seu corpo.
Dos olhos brotam duas cachoeiras
De uma forte luz multicor.
Deixo-me envolver pelo abraço de seus cabelos,
Sinto o cheiro das damas da noite.
Meus lábios tocam a maciez da neve
Em uma suave valsa de beijos.
Ela me pega em seu colo
E me conduz para o fundo do oceano da canção.
Vejo cavalos marinhos, peixes, estrelas,
Sinto o sabor doce de algas macias.
Ela me abraça, fico sem fôlego.
A brancura toma conta do meu corpo.
Ela me traga.
Sinto a maciez da seda do Oriente,
Vejo o arco-íris jorrando de seus olhos,
Encontro e respiro o pote de ouro,
Transformo-me em um diamante de felicidade
Que explode em luzes coloridas
Fazendo de uma simples existência
Muitas e muitas vidas.

Roman Lopes

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 10

Outro brainstorm do quadro 02... Muitos devaneios...

O cidadão comum perdido, como todos. O ócio delineia suas perguntas e a ausência de função o faz desintegrado do ambiente. Mas qual a função das funções? Manter todos ocupados? Por que suas perguntas não são sua função? Estariam elas num contra ritmo do que está sendo feito? Ele não pertence aquele lugar... Ou o lugar que não pertence mais a nenhum cidadão. O mundo vazio e inóspito. Costelas e coluna humana feitas de madeira , esqueléticas... Marrom escuro com camada esbranquiçada. A poeira da vida aos cupins que devoram o tempo. Abelhas grudam-se a ele... E movem-se. O sigilo dos ossos famintos. A sujeira... Do asfalto ou das pessoas? O tempo contado. A violência da segurança. Seguro pra quem? Seguram-se as pessoas... E então?

Bianca Nuche

domingo, 6 de outubro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 09

Mais um brainstorm sobre o quadro 02 do espetáculo MINHA CIDADE NATAL

Vazio tempo medo efêmero sufocante enlouquecedor delirante rude perverso rotina lógica irracional prisão correntes pilares formas delírios imposição lei natural valoração trabalho busca criação nascimento morte condenação perdas escolhas condições ilusão convencimento especulação devaneios tolos manipulação controle social falso mundo construção de realidade inquietude intolerância pequeno poder

Franklin Jones

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 08

Mais uma imagem relacionada ao quadro 02 da peça MINHA CIDADE NATAL...

                                          Brainstorm de Imagens - Franklin Jones

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 07

Um brainstorm sobre o quadro 2 do espetáculo MINHA CIDADE NATAL

Ande por todos os caminhos, ande sem rumo, simplesmente ande.
Você está onde nunca esteve e nunca estará, mesmo estando.
O fazer decorre da natureza morta que não há em você, você não sente, você não pensa, você não pode ficar aqui.
Sua recompensa está à frente, ande, ande e ande até que possa continuar andando.
É preciso haver um equilíbrio, sua vontade está posta, não sinta, não pense, pense vazio, não tenha... Todos nós temos obrigações... Não tenha para que continue não tendo.
Nada mais é do que a imagem bizarra que me diverte, me angustia... Você é a razão da minha vida...

Jéssica Leandro

sábado, 21 de setembro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 06

Reflexões sobre o ensaio do dia 19 de setembro de 2013

É sempre uma tarefa instigante falar sobre o que se passou em um processo de criação, várias inquietações, sensações e até mesmo incertezas, o problema é como organizar isso tudo em um texto linear e claro. É melhor nem pensar nisso. 

O nosso encontro começou com conversas sobre o texto do Adorno (Indústria Cultural e Sociedade) e como é inquietante refletir sobre algo escrito há tempos e que é cada vez mais atual, ultimamente estes assuntos tem me causado grandes conflitos algo que também foi comentado nesta roda de conversa.

Logo iniciamos nosso processo... Leitura do quadro, buscando novas possibilidades para as falas... depois deste primeiro momento iniciamos o treinamento individual, experimentação de possibilidades com orientação da direção. O grande desafio é manter o resultado obtido nos encontros anteriores e ir acrescentando conforme as novas descobertas, como brincar com as formas construídas? Esta é a diversão do trabalho do ator, vamos tentando.

Agora vamos somar todas as experiências individuais e ver que resultado cênico nos provoca, nos gerou questionamento sobre a presença de cada personagem neste quadro, todos estariam em cena, juntos? 

Voltamos ao quadro 1. Na semana passada a relação entre Pensador e Eva teve um elemento que nos revelou possibilidades e nesta semana com a sugestão de novos elementos tivemos a possibilidade de rever esta relação e propor possibilidades... E agora com a inserção da Artista. No primeiro momento foi interrompido por mim por ter sentido dores na perna direita, depois de um pequeno alongamento retornamos.. A integração dos elementos que na primeira tentativa foi vazia, neste começa a ter pequenas possibilidades, a utilização do pano e destes elementos tem que ser orgânica, mas para isso acontecer precisamos permitir que estes elementos nos acessem, precisamos abrir nosso campo sensível e deixar as possibilidade surgirem, sem mediação ou questionamentos de certo ou errado... Este é o momento que temos para isso e por isso a importância de nos livrarmos das possíveis censuras. Esta foi uma conversa que rolou depois desta primeira experiência com todos os elementos e com a participação da Artista em cena...

Franklin Jones

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 05

Reflexões sobre o ensaio do dia 20 de agosto de 2013...

O ensaio me faz perguntar: Até que ponto a liberdade é benéfica? E eu não estou falando da peça... Ou estou? O que vamos fazer agora? Alguém trouxe o segundo quadro? Não? Ah... Bom, então, o que vamos fazer?

A passagem da peça foi ruim, sem muita energia ou prazer no fazer... E esses dois elementos, se já são essenciais, nesse espetáculo parecem ser mais ainda... Por que não conseguimos recobrar aquilo que já fizemos? Seria mesmo insegurança? Ou falta de preparação? Mas como nos preparar? Não sei...

Alguém se sente sozinho. Alguém se sente sem aquele prazer em fazer... Precisamos de direcionamento?

Bianca Nuche

domingo, 1 de setembro de 2013

Ensaios de uma busca - parte 04

Continuando o processo de compartilhamento dos nossos anseios, buscas e conflitos na elaboração do espetáculo MINHA CIDADE NATAL, estamos publicando duas imagens relacionadas ao quadro 02 do espetáculo, intitulado A CIDADE DAS PERDAS PROGRAMADAS....
Comentem, se quiserem...
Evoé!

   Arco do Triunfo Decadente - Bianca Nuche

                                                                                       Trabalho de Fogo - Teorema - Roman Lopes



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Finalmente, o Sarau Virtual Reticências em Versos

Depois de mais ou menos um mês de atraso, é com imensa alegria que colocamos no ar o SARAU VIRTUAL RETICÊNCIAS EM VERSOS...


Os vídeos aqui apresentados são aqueles que foram escolhidos na enquete feita aqui no blog...


Foi a primeira vez que realizamos um trabalho como esse e não tínhamos a real dimensão dele... Por isso o atraso... Pedimos desculpas por essa demora e também por eventuais falhas nos vídeos...

Fizemos um grande esforço para honrar o trabalho dos nossos amigos poetas...

Esperamos contar com a participação de todos no próximo sarau, no ano que vem...

Viva a Poesia! Viva a Arte!











sábado, 24 de agosto de 2013

Leitura Dramática

Na próxima terça-feira, 27/08, a Trupe Reticências participará do projeto de Leituras Dramáticas organizado pelo nosso colega Sandro Coimbra...

As leituras acontecem toda última terça-feira do mês, sempre com grupos e textos diferentes. Após a leitura haverá um debate com os artistas e o público. A mediação do debate é feita por Jean Gaspar...

A Trupe Reticências fará a leitura dramática do texto CARÍCIAS, do dramaturgo espanhol Sergi Belbel... Um texto surpreendente...

O evento será no anfiteatro da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, que fica na Rua João Gonçalves, 439 – Centro. A entrada é franca.

Esperamos por todos lá...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Ensaios de uma busca - parte 03

Estamos começando um processo de abertura do nosso trabalho, lento e gradativo... A primeira etapa é dar a alguns amigos o texto da peça para que eles leiam e comentem... Brevemente abriremos os ensaios...

Abaixo está a reflexão feita pelo nosso amigo Rodrigo Pignatari, um dos integrantes do Grupo Glacê...

Valeu pelas palavras Pig!

No todo fica a ideia de uma guerra entre razão e paixão/sensação, a luz e a escuridão, o apolíneo e dionisíaco. E deste conflito sai a busca de uma personagem que nos mostra o movimento da humanidade do inicio/paixão, a vida até a razão/civilização e os avanços deste movimento. Da cidade ideal até a mesma, corrompida em detritos e o homem reconhecendo, nele e nela, este movimento com violinistas que enfrentam governos e margens que ganham formas sólidas. Tudo isso se constrói e se torna consciente no conflito entre razão e paixão/sensação. Então esta personagem se encontra novamente com a paixão e vive novamente plena=arte. Como no inicio, em que éramos apenas uma força solta na existência.

Fico curioso como este texto se mostrará como objeto cênico, como se mostrará EVA, o PENSADOR, CIDADÃO COMUM... E como estes personagens vão estar neste cenário que me parece um côncavo-convexo, yin-yang... É como se o cenário fosse a linha que fica entre estas duas forças. E como se mostra então esta imagem? Como se mostra esta personagem que supera o homem? Como seria isso? Tenho pra mim que seria algo maior que a liberdade (pois a mesma já tem uma função)...

Mais um comunicado... Duro, mas necessário...

Caros amigos, infelizmente teremos, mais uma vez, que adiar a publicação dos vídeos. Primeiramente por conta da grande carga de trabalho. Estamos em processo de preparação de um espetáculo teatral, o que consome bastante tempo e energia... Estamos participando de vários eventos em nossa cidade e estamos finalizando os vídeos dos poemas... Aliado a isso, o clima aqui na nossa cidade, com muito frio e chuva, inviabilizou o término das filmagens, uma vez que temos muitas cenas externas... Pedimos, mais uma vez, desculpas por todo esse transtorno e um pouco mais de paciência a todos vocês... Sabemos da responsabilidade que temos com os trabalhos dos poetas e estamos nos esforçando para que tudo saia o mais rapidamente e o melhor possível...

Um grande abraço a todos.

Trupe Reticências

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Versos solitários... Enquanto não vem...

CRÔNICA DA SOLIDÃO

Tive um sonho!
Ou terá sido um pesadelo?
Será que eu sofria ou vivia?
Contemplo imagens difusas, idéias confusas.
Vejo véus, entrelaçados, serpenteando
Em uma dança frenética e prateada
Que convida a lua para um banquete
Onde é servida a essência da maravilha.
Cada véu que cai vai descobrindo a divina luz da beleza.
Ouço o som de plumas coloridas, pássaros cantando, asas de anjo,
A suave e doce música do sol do verão.
Sinto o perfume e o aroma das flores da primavera.
Lírios, narcisos, rosas brancas,
Um jardim inteiro de felicidade e fantasia.
Deito-me na lagoa de ouro, espelho d’água
Onde sou abraçado pela Vênus de mármore
Que tem braços, boca, seios, ventre, vida.
Vida que pulsa e bombeia meu sangue,
Bombardeando meu coração
Com uma rajada de desejo e de paixão.
Sento-me, sorridente, à mesa
Para saciar a minha sede de magia e a minha fome de alegria.
Mas o som cessa, o perfume se dissolve
E os véus voltam a turvar minha visão,
Cobrindo a luz da beleza com o manto da ilusão.
Foi um sonho! O sonho do amor inatingível
Que reforça a insistente marca da solidão.
Só me resta esperar que os véus voltem a cair,
Que a luz apareça com a sua delicada maciez,
Que as plumas e as asas voltem a cantar
Para que eu possa participar da sagrada ceia,
Comendo o pão divino e bebendo o vinho fantástico.
Para que eu possa, no colo da Vênus,
Rezar salmos nos seus lábios
E viver plenamente o ritual
Da única santa da minha devoção,
Santa Bela Atriz.
Santa rainha, senhora, princesa,
A santa cuja beleza
Transformará a solidão da minha existência
No tranqüilo sono do amor.

Roman Lopes

Comunicado importante!

Queremos dizer aos nossos amigos e, principalmente, aos poetas participantes que, infelizmente, por motivos de força maior, teremos que adiar por uma semana a publicação dos vídeos para o sarau...

Estamos com uma carga de trabalho muito grande e precisaremos de mais tempo...

Pedimos desculpas por esse transtorno e pedimos também um pouco mais de paciência a todos...

Obrigado pela compreensão!

Trupe Reticências

domingo, 14 de julho de 2013

Evento de grande importância... Estamos nele também...

A SEDA - é um festival integrado de cinema, articulado pelo Fora do Eixo em cerca de 100 cidades do Brasil e da América Latina. Em Guarulhos ela é organizada colaborativamente pelos coletivos audiovisuais da cidade, produtores culturais e artistas de outras áreas, a programação contará com mostras que enfocam a produção da cidade, oficinas práticas, debates, shows e outras atividades responsáveis por promover a intersetorialidade do audiovisual com outros segmentos artísticos, sendo realizado de 12 a 28 de julho em importantes espaços culturais independentes de Guarulhos.

A SEDA - é organizada de maneira independente pelos seguintes coletivos artísticos de Guarulhos:

Catarse Coletiva
Casa dos Cordéis
Coletivo Assim
Coletivo Aurora Catavento
Coletivo 308
CLAM - Coletivo Livre de Amigos Artistas
Barreto Filmes
Grupo Glacê
Trupe Reticências
Vídeo Fazedores

Abaixo a programação da SEDA Guarulhos:


Reflexão crítica?

OS TRÊS PILARES DA RUÍNA CRÍTICA CONTEMPORÂNEA

O mundo contemporâneo globalizado possui um paradoxo fundamental: ao mesmo tempo em que se declara a morte aos padrões de comportamento, defendendo os valores individuais como a única coisa importante a ser conquistada, temos uma massificação cada vez maior do comportamento, transformando todas as pessoas em seres que pensam igualmente, agem igualmente, vivem igualmente, sentem igualmente. As desigualdades ficam no campo das possibilidades. Todos são iguais perante a lei, mas a lei não é igual perante todos. É um quadro catastrófico. Essa ausência de valores traz um vazio, uma lacuna nos ideais humanos que tem duas conseqüências nefastas: primeiramente fica muito fácil para as estruturas do poder manipular as pessoas, uma vez que o espaço vazio das ideologias pode ser preenchido por qualquer conceito de sucesso vendido em propagandas pasteurizadas de felicidade. Além disso, essa lacuna faz com que qualquer coisa seja aceita, em qualquer campo do conhecimento. Inclusive a falta de conhecimento. O que importa um palhaço (desculpem os palhaços, mas é assim que ele é chamado) analfabeto funcional ser um deputado federal? Ele não precisa saber ler e escrever. Ele precisa pensar no povo. Como isso é possível, se a função primeira de um deputado é discutir e elaborar leis? Para isso ele não precisa saber ler e escrever?

Desse espaço de vale tudo em que nos encontramos, obviamente, quase ninguém escapa. Os princípios globalizantes determinam todos os valores. Quem não quiser, fica à margem de tudo. Vencemos o monstro da censura, louvamos a liberdade democrática e agora dormimos com o inimigo, pois temos liberdade para dizer o que quisermos. Só não teremos ouvidos a ouvirem as nossas palavras, se elas estiverem em desacordo com o pensamento globalizado. Quando a censura prendia e torturava os adversários do sistema, a luta era declarada, honesta. As pessoas viam a cara do inimigo. Agora o inimigo vestiu uma máscara de bondade. Não sabemos mais reconhecê-lo e muitas vezes ele está diante do espelho.

Desviei-me do caminho da crítica para pintar um quadro surreal (ou naturalista) do mundo. No entanto, esse quadro pode servir de ponto de partida para uma reflexão sobre a situação da crítica. Como falar em crítica numa sociedade onde não existem valores referenciais? Como falar em crítica num mundo onde tudo vale? Qual seria o papel do crítico numa sociedade onde um apresentador de televisão tem autoridade para chamar alguém de ícone da Arte ou da Ciência?

A crítica contemporânea passa pelo mesmo impasse que os campos de conhecimento onde ela atua. A Arte, atualmente, está confusa. As mídias de massa transformam qualquer um em artista. Qualquer porcaria produzida com o único intuito de enriquecer alguém é vendida como Arte de primeira linha (como se existisse Arte de primeira ou de segunda linha). As pessoas consomem essas obras vendidas pelo marketing cultural e têm a ilusão que conhecem Arte. A Ciência está confusa. Qualquer psicólogo de botequim vai a um programa de televisão e fala sobre comportamento humano, transformando-se em um ícone da ciência comportamental, ditando valores a serem seguidos, valores esses que atendem aos interesses dos próprios programas. As escolas insistem em mostrar a Ciência como um monstro que devemos conhecer, mas do qual não podemos nos aproximar muito, senão seremos devorados. Como estimular qualquer análise crítica nessas condições?

A chamada crítica especializada ainda existe. Nos jornais conseguimos ver o número de estrelas que esses críticos especialistas dão a um filme ou a um espetáculo teatral. No entanto, dificilmente nos guiamos por essas estrelas. Às vezes as pessoas vão assistir a um filme ou a um espetáculo justamente porque a crítica falou mal, pois a crítica está desacreditada. Agora reflexões sérias sobre esses mesmos filmes ou espetáculos não existem mais. Melhor dizendo, ficam restritas a publicações especializadas que atendem a um público muito restrito e que, geralmente, têm um alto custo. O resto são páginas e páginas de publicidade, pois o que importa é vender. Vender a revista, o produto anunciado na revista, o filme que o crítico da revista comenta, a alma dos artistas do filme, do crítico e da revista.

Um cientista faz uma descoberta maravilhosa, que pode auxiliar no tratamento de doenças. Produtos são criados para aumentar a produtividade das plantações. As safras são recordes. O cientista é criticado, elogiado, comentado nos programas de televisão. Afinal de contas, sua descoberta pode ajudar muitas pessoas. As instituições governamentais financiam a pesquisa desse cientista e o meio acadêmico o coloca no pedestal dos gênios. Entretanto, as pessoas passam fome e morrem em filas de hospitais públicos. E nem o cientista, nem o crítico e, muito menos as instituições governamentais fazem algo para que a descoberta transforme-se em algo efetivamente eficiente para todas as pessoas. O que importa são os prêmios e as verbas.

Além de tudo o que já foi colocado, é importante ressaltar o papel cada vez mais subjetivo da crítica contemporânea, o que revela mais uma vez o paradoxo perverso do mundo globalizado. O crítico acaba sempre falando sobre algo que gosta ou que não gosta. E, para ganhar credibilidade, utiliza-se dos espaços midiáticos à sua disposição, geralmente colocados à sua disposição desde que ele tenha uma postura que passe algo politicamente correto, mesmo que esse politicamente correto esteja incorreto. Critica-se um artista por ter usado urubus em uma de suas obras. Abaixo assinados são feitos. Notícias em jornais e revistas. Blogs comentam o absurdo, dizendo que o artista é arrogante por achar que em Arte vale tudo. Pobres dos urubus! O IBAMA intervém, em nome dos direitos dos animais. Os urubus são retirados. Todos ficam felizes e vão a Barretos ver os rodeios. Afinal de contas, as duplas sertanejas precisam de espaço e público. Os programas de televisão precisam ter atrações para garantir a audiência. As novelas precisam de personagens com forte apelo popular. Um artista é criticado por retratar-se matando o presidente com uma faca. A OAB fala em apologia ao crime. Mais abaixo assinados. O presidente, com uma caneta, assina uma medida provisória que provavelmente ajudará a matar de fome milhares de pessoas. E ele ainda consegue eleger a primeira mulher-robô-personagem da história como sua sucessora. E a crítica colabora com tudo isso.

Não existe crítica séria? Obviamente existe.
Não existe crítica honesta? Logicamente existe.
Não existe crítica isenta? Mais uma vez, existe.

O que talvez esteja mais difícil de existir é uma crítica que seja, ao mesmo tempo, séria, honesta e isenta. Porque aí o que não vai existir é o espaço para que essa crítica possa ser divulgada, pois os espaços de divulgação não são, em sua maioria esmagadora, nem sérios, nem honestos e muito menos isentos.

Roman Lopes

terça-feira, 2 de julho de 2013

Ensaios de uma busca - parte 02

Mais uma imagem que representa um pouco das nossa reflexões sobre o primeiro quadro do espetáculo...

A explosão de dançar contra os sabores do tempo
Bianca Nuche

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Devaneio ou busca?

Pequeno devaneio de Eva

Garoa... Os postes cor de rosa brotam do asfalto como flor festa que delimita o espaço verde fresco aconchegante... A fumaça delicada calorosa do líquido na mão, o frio que a transmuta e a faz sumir... As bocas... A vibração da energia do que não quer separar, o úmido molhado quente do contato mutável...O vagaroso abrir do desejo nas pupilas e o riso da graça escondida...

Bianca Nuche

domingo, 23 de junho de 2013

Enquete encerrada... Em breve, o sarau...

A nossa enquete foi encerrada no dia 21/06 e, mais uma vez, o resultado foi um sucesso... Graças aos nossos amigos, que estão prestigiando o nosso blog, de uma maneira fantástica, tivemos 1211 votos na enquete, que escolheram os 10 poemas que serão transformados em vídeos declamações...


Em breve eles estarão no ar...

Parabéns a todos os poetas que fizeram o sucesso da nossa revista e um cumprimento especial àqueles que terão seus trabalhos declamados... Mais uma vez teremos a qualidade com elemento principal...

Os 10 poemas escolhidos foram:

Álbum Revisitado – Roberto Moura – Governador Valadares – MG – 410 votos
Porque Por Vezes – Naida Matoss – Portugal – 307 votos
O Estudante – Ricardo Giovani – Palmas – TO – 147 votos
Estilhaços – Carlos Jones – Petrolina – PE – 142 votos
Talvez Presunção – Emílio Miranda – Portugal – 60 votos
Doces Sonhos – Júlia Souza – São José – SC – 59 votos
Solidão – Francisco Ferreira – Betim – MG – 40 votos
Deixe-me Ler Para Ti – Sabino Muchanga – Moçambique – 33 votos
Ipsis Literis – Manoel Belisário – João Pessoa – PB – 33 votos
Des(pa)lavrando – Rafaela Gomes – Pechincha – RJ – 15 votos

Agradecemos mais uma vez a todos que nos honraram com seus poemas e a todos aqueles que estão prestigiando o nosso trabalho...

A Revista continuará publicada no nosso blog, por tempo indeterminado...

Que venha o sarau!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Ensaios de uma busca - parte 01

Em abril desse ano, após encerrarmos a temporada do nosso espetáculo O HOMEM COM A FLOR NA BOCA no Festival de Curitiba, iniciamos um novo processo de trabalho...

Após alguns debates, algumas desistências e muitas incertezas, chegamos ao espetáculo MINHA CIDADE NATAL, que esperamos estrear no final do ano...

Trata-se de uma busca pela descoberta espontânea dos elementos cênicos, baseada na ausência máxima da consciência... Difícil de explicar!

Resolvemos começar a compartilhar instantes dessa busca com os nossos amigos, não só para que todos saibam o que estamos fazendo, mas também para receber contribuições daquele que quiser, de alguma maneira, trilhar essa jornada maravilhosa e assustadora com a gente.

Acompanhem a trajetória de mais uma de nossas aventuras...

A imagem abaixo é resultado de muitas reflexões sobre o primeiro quadro do espetáculo, que se chama O NASCIMENTO DO CIDADÃO DO MUNDO...

                                          Trabalho de Fogo - O Nascimento - Roman Lopes

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Revista Reticências em Versos

Estamos publicando a Revista Virtual "Reticências em Versos", com os poemas selecionados no nosso I Sarau Virtual. São 21 poemas de diversos autores que nos brindam com versos ricos e belos...

Mas o Sarau ainda não terminou... Leiam os poemas e participem da nossa enquete... Os 10 poemas mais votados serão transformados em vídeos declamações e estarão no ar, aqui no blog, a partir do dia 19 de julho...

O prazo para votar nos poemas preferidos termina no dia 21 desse mês... Então não perca tempo... Vamos valorizar a poesia e a Arte!

Parabéns a todos os poetas publicados... 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Versos simples... Apenas um aquecimento!


                                                   TAO

Ando pela rua,
Isso é real.
Olho para a lua,
Ela é real.
Brinco com um cão,
Ele é real.
Sinto uma paixão,
Ela é real.
Tudo é real,
Real também é o nada.
Real é a figura pintada,
A perna quebrada,
A vida sonhada,
A fantasia rasgada.
Ando pela rua,
Isso é ilusão.
Olho para a lua,
Ela é ilusão.
Brinco com um cão,
Ele é ilusão.
Sinto uma paixão,
Ela é ilusão.
Nada é ilusão,
Tudo é ilusão.
Um vazio no coração
Ou uma grande paixão.
Um amigo de verdade
Ou a própria inimizade.

                                  Real e irreal,
                                     Comum e especial,
                                    Tudo isso é diferente,
                                      Tudo isso é igual.


Roman Lopes

domingo, 19 de maio de 2013

Inscrições encerradas!... Sucesso e qualidade...

Estamos informando a todos que as inscrições do nosso I SARAU POÉTICO VIRTUAL “RETICÊNCIAS EM VERSOS” foram encerradas...

Recebemos 165 trabalhos, escritos por 49 poetas de várias partes do país e também do exterior. Foram 13 estados brasileiros, representados por 39 municípios diferentes. Além disso, recebemos poemas de outros 2 países, Portugal e Moçambique...

Ficamos muito felizes com o resultado, não só quantitativo, mas também com a qualidade dos poemas enviados, mostra de que a Poesia está mais viva do que nunca...

No dia 07/06, conforme consta no edital, publicaremos a revista virtual com os 20 poemas escolhidos...

Agradecemos a todos os poetas que nos deram a honra de conhecer os seus trabalhos e esperamos que essa seja a primeira de muita edições do nosso sarau...

Abaixo uma lista com todos os poetas que estão participando

SÃO PAULO
Lucas Limberti – São Paulo
Guacira Gonçalves Maffra – São Paulo
Leônidas de Souza – São Paulo
Diego de Souza Santana – São José dos Campos
Ralph da Silva Guerrero – Guarulhos
Gabriela dos Santos Oliveira – Guarulhos
Bruno Bennedetti – Guarulhos
Sandro Sansão da Silva Costa – Miracatu
Antônio Pereira Alves – São Bernardo do Campo
Lucas Jonas Fernandes – Orlândia
Geraldo Trombin – Americana
Edvaldo Fernando Costa – Osasco

RIO GRANDE DO SUL
Roberta Garcia da Costa – Porto Alegre
Alessandra Figueiró Froener – Porto Alegre
João Batista da Silva – Caxias do Sul
Marcos Freitas Bandeira de Gouvêa – São Francisco de Paula
Uillian Leonardo Rodrigues Peiche – Alegrete
Roque Aloisio Weschenfelder – Santa Rosa

MINAS GERAIS
Celso Ricardo de Almeida – Fervedouro
Pedro Gonçalves Dias – Monte Azul
Francisco Ferreira – Betim
Fábio Batista de Almeida – Belo Horizonte
Fernanda Resende Ramos – Uberlândia
Roberto Moura De Souza – Governador Valadares
Amélia Luz – Pirapetinga

RIO DE JANEIRO
Felipe Costa Sena da Silva – Seropédica
Rafaela Gomes Figueiredo – Pechincha
Marcelo Gomes Jorge Feres – Rio de Janeiro
Diógenes da Silva Severino – Rio de Janeiro
Bárbara Soares Pinheiro Souza – Rio de Janeiro

SANTA CATARINA
José Leite da Silva – Florianópolis
Júlia Souza da Silva – São José
Glauco Paludo Gazoni – Chapecó

RIO GRANDE DO NORTE
Mateus Felipe Barbosa de França – Mossoró
Irismarqueks Alves Pereira – Parazinho
Ray Lima – Natal

BAHIA
Robinson Silva Alves – Coaraci
Marcelo de Oliveira Souza – Salvador
Diórgenes Maicon Alves de Souza – Jequié

PERNAMBUCO
Carlos Jones Bezerra Cintra – Petrolina
Ana Paula Moraes Canto de Lima – Recife

CEARÁ
Karline da Costa Batista – Aracati

PARAÍBA
Manoel Messias Belisario Neto – João Pessoa

GOIÁS
Eduardo Cruvinel de Castro – Goiânia

TOCANTINS
Ricardo Giovanni Carlin – Palmas

DISTRITO FEDERAL
João Elias Antunes de Oliveira – Taguatinga

PORTUGAL
Emílio Gouveia Miranda
Nádia Cristina Gomes de Matos

MOÇAMBIQUE
Sabino Muchanga



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Devaneio pedagógico

ACORDA, ONÇA!

Os alunos de uma sala de aula não formam um grupo homogêneo, apesar de a estrutura escolar tentar provar o contrário. Muitos indivíduos diferentes habitam esse mesmo espaço (no caso das escolas públicas, muitos mesmo). Mesmo com idades próximas e condições sociais semelhantes (será mesmo?), os alunos de uma sala de aula são indivíduos diferenciados. Portanto, parece ilógico falar em homogeneidade nessa situação. 

A situação acima exposta é importante para iniciar uma reflexão sobre o trabalho com variação linguística em sala de aula. A simples impossibilidade de existência de uma verdadeira homogeneidade em sala de aula já seria suficiente para justificar o trabalho com a variação linguística, uma vez que somente assim o professor contemplaria a variedade de pensamentos e formas de expressão que esse grupo heterogêneo criaria. Portanto, essa missiva poderia ser encerrada agora, pois qualquer colocação feita a partir desse momento representará uma redundância, uma vez que a importância do estudo da variação linguística já está mais do que provada. Porém, como esse humilde missivista adora, como diz o ditado, “cutucar onça com vara curta”, vamos continuar... 

A Sociolinguística Variacionista, iniciada por Labov coloca que a língua não pode ser desligada da sociedade na qual está inserida e que, por isso, para estudar essa língua, é necessário também que essa sociedade seja estudada, para que possam ser estabelecidas todas as influências sociais na língua e vice-versa. Além disso, ela também coloca que as mudanças ocorridas na língua no decorrer do tempo são influenciadas por fatores sociais e ocorrem de maneira gradual. Por isso, o estudo de qualquer língua deve estar relacionado a um estudo profundo e sistemático da comunidade linguística a qual essa língua pertence, sendo esse estudo capaz de contemplar todas as variações que podem ocorrer dentro dessa comunidade, por mais difícil que isso possa parecer. 

Essa é a nossa realidade? Infelizmente não! Por mais repetitivo que pareça, é necessário insistir que o estudo de línguas na sala de aula está muito distante de uma situação satisfatória. O simples fato de os alunos serem tratados como iguais mostra a incoerência existente. Cada aluno tem uma história de vida diferente, o que representa uma forma de expressão diferente também. O professor deveria aproveitar essa diversidade como uma fonte riquíssima de material de aula. Utilizar textos dos alunos como material para o ensino da língua, deixando de lado os livros didáticos que não servem para absolutamente nada. Utilizar outros textos pesquisados pelos alunos, retirados de livros, peças publicitárias, jornais, televisão. Pedir aos alunos que entrevistem pessoas na rua, em casa. Interagir com outras comunidades linguísticas para entender as diferenças. Tudo isso proporcionará um estudo rico e fundamental para o conhecimento da língua e sua inserção na sociedade, contemplando verdadeiramente a variação linguística existente e por existir... Mas será que isso é suficiente? Talvez não! Por isso, cabe ao professor preparar-se para mais. Não existe fórmula! O importante é o professor saber aonde quer chegar e criar o ambiente necessário para atingir seus objetivos. Ser criativo, não agir de forma autoritária, inventar sempre coisas novas, buscar materiais diferenciados, sempre retirados do cotidiano do aluno. E, acima de tudo, entender de uma vez por todas que a chamada norma culta é simplesmente mais uma forma de utilização da linguagem, mas que não é a mais correta e nem a mais importante. Somente assim o estudo de línguas na sala de aula pode utilizar realmente os princípios da Sociolinguística Variacionista e toda a sua riqueza teórica no que diz respeito à variação linguística. 

O maior problema é que esse parece um caminho distante. Os professores, em sua maioria, sequer pensam na variação linguística, reproduzindo a ideia incoerente e ultrapassada de que existe uma norma a ser obedecida no uso da língua, distanciando a mesma do aluno, impedindo-o de se reconhecer como ser produtor de linguagem. O resultado disso é o que qualquer pessoa que vive no ambiente escolar já sabe: os alunos não gostam de estudar línguas, pois não percebem o sentido de saber as regras impostas por essa norma. Os alunos ficam cada vez mais distantes, pois para eles existem duas línguas, a dele mesmo e a que é ensinada na escola, que não tem nenhuma relação com ele. Quando esse absurdo vai acabar? A resposta é simples: quando os professores estiverem preparados para aquilo que deveria ser natural no exercício de sua função, qual seja, criar as condições reais de aprendizado para todos os seus alunos... Algumas indicações já foram dadas. Muitas outras podem ser criadas. Basta um pouco de competência e boa vontade... 

Sabe o que é pior? As onças estão sendo cutucadas e não esboçam nenhuma reação. Continuam dormindo em suas jaulas de zoológico, esperando apenas pelo alimento, como se isso fosse o bastante para que elas sejam felizes. Como seria bom se elas atacassem!

Roman Lopes