domingo, 3 de fevereiro de 2013

Apenas mais uma reflexão!


BRAZILIAN LAND – UMA TRADUÇÃO CONTEMPORÂNEA DA TERRA BRASILIS
A MAIOR PIADA DO PORTUGUÊS

Roman Lopes

... Dos filhos deste sol és Mãe gentil,
Pátria amada, Brasil...”

De quem somos filhos? Dos milhões de índios (denominação típica do dominador) exterminados? Dos poucos remanescentes? Somos filhos do invasor fugitivo, desesperado pela própria condição de perda e que quis transferir essa condição para essas terras, juntamente com suas ambições? Somos filhos dos negros mercadorias, arrancados à força de suas próprias existências para uma vida de zumbi (com todas as letras minúsculas)?

O Brasil é um país que já nasceu globalizado. Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz... Quem é essa Vera? É santa? E a cruz? Os habitantes autóctones dessas terras descobriram logo. É a cruz do martírio de um homem desconhecido, que transferiu para eles um martírio ainda maior, transformando Tupã em um velho de barba branca, sentado em um trono invisível, a rir de suas pajelanças e de suas cores corporais dançantes.

Brasil... A brasa da madeira, a brasa que mora (trocadilho Velha Guarda) na essência dessa terra e que para os invasores tinha apenas o valor amarelo do ouro, apesar da madeira ser vermelha. É a contradição invasiva das cores. Imperialismo cromático no reino primário.

Essa nação foi invadida. Os invasores foram invadidos. Os invasores dos invasores foram invadidos pelos invasores anteriores. Novos invasores vieram. Invasores forçados vieram escravizados. Os autóctones já não conseguem entender mais nada. Será que eles também são invasores? A resposta é clara: esqueçam a caça e o rio! Olhem no nosso espelho e vejam o brilho santo da civilização! O rio virou Rio, de Janeiro, de fevereiro, de março. O calendário do invasor, que desrespeita o Sol e despreza a Lua, transformando-a em uma bola de queijo... Aliás, o que é queijo mesmo? Um produto das Minas de ouro. Feito com leite de vacas holandesas. Até as vacas invadiram essa terra!
A invasão foi tão intensa que não teve outro remédio. Os invasores sentaram à mesa e fizeram tratados. As Tordesilhas, a independência, a abolição, a redemocratização, o assento permanente no Conselho de Segurança. A Copa do Mundo é nossa! Viva 2014! Seremos novamente invadidos. Só que agora estamos de acordo.

O que restou aos habitantes desse país? Continuar aceitando as invasões. As estrelas loiras que não envelhecem e não param de dançar. O ouro verde que colocou no nosso verde os rostos dos presidentes norte-americanos. A devastação amazônica da nossa Mata Atlântica, transformada na metrópole do santo invasor. O esporte nacional é inglês!

Somos obrigados a estudar Línguas Estrangeiras Modernas, para sonharmos com o tradicionalismo de Harvard e de Cambridge. Contradição acadêmica. O moderno repousa nas poeiras antigas daquilo que é consagrado. E seguimos estudando, para ganhar em dólares e comprar os automóveis fabricados aqui pelos invasores, graças à mão de obra que vale pouco mais de quinhentos reais (dinheiro irreal). É a invasão automobilística.

Estamos na era das redes virtuais e o teclado do meu computador está todo escrito em inglês. CAPS LOCK.... Enter... E agora?... Será que eu quero Print Screen? Eu preciso estudar Língua Estrangeira Moderna. Vou para Harvard jogar futebol. Ou para Cambridge defender uma tese sobre a relação do samba e do rock. O meu estudo de caso será o Michael Jackson. Mas antes de embarcar eu vou a uma lanchonete comer um cheeseburger, a vaca holandesa com a fatia de queijo nas costas. Invasão ao quadrado. Mais uma vez o vermelho se junta ao amarelo. Só que agora sem madeira (o M é outro), pois ela já se transformou no verde dos rostos presidenciais.

A única identidade que o brasileiro perde é aquela que dá para tirar a segunda via. Ele nunca teve outra. Estamos há quinhentos anos deitados eternamente em berço esplêndido...

O Manuel da padaria está rindo de nós até hoje! E olha que ele é que é o burro!

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