sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mais uma gota de poesia...


NEO-PLATÔNICO I 

Vivia no vazio, via o vácuo à minha volta.
Dentro de mim o abismo profundo.
Tristeza?... Não... Nada...
O Nada absoluto.
A vida reduzida a uma insignificante existência,
Limitada pelo cotidiano raso e incolor.
Os dias passavam todos iguais
E as horas numa desanimadora semelhança.
O meu coração sempre no mesmo ritmo,
Uniforme, sem graça...
Então veio ela, a princesa.
A criança com sua energia renovadora,
A moça com sua pureza maravilhosa,
A mulher com sua sensualidade natural,
A beleza em sua manifestação plena.
O cotidiano incolor transformou-se
Em um arco-íris de flores perfumadas
E a existência rasa em um oceano abissal
Onde meu coração navega no ritmo das tempestades
E do gosto suave da brisa matinal.
Mergulho nesse oceano sem medo,
Para ver o vôo dos pássaros e a brancura da neve.
Entrego-me à paixão arrebatadora
Para morrer à bala e renascer
No colo da fantasia redentora.
Alimento-me de olhares, sorrisos e abraços.
Sacio a minha sede de magia e maravilha.
Fico mais próximo da plenitude.
Amo sem medo.
O amor proibido ou não correspondido,
A dolorosa paixão e a doce ilusão.
Amo simplesmente.
E o vácuo vazio da minha vida
Virou a vasta visão da Verdade,
O turbilhão tempestuoso de todos,
Os amores e paixões humanas
Personificados na figura mais linda
Que cruzou o meu caminho.

Roman Lopes

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