domingo, 10 de fevereiro de 2013

Uma gota de poesia...


Poesia Quadrada
(uma maneira libertária de mostrar como estamos presos a uma forma).

Os gritos roucos invadem o luar como lobos famintos e sedentos.
Os gemidos nos rostos colados, denunciando o prazer dos amantes,
Apresentando aos visitantes as maravilhas do Jardim do Éden,
Onde todos comem a maçã sem castigo.

Os corpos entrelaçados, macios, em delicados movimentos,
Tremendo ao ritmo frenético e louco de amores dançantes.
As bocas e mãos que percorrem e medem
A dimensão do percurso que leva ao suntuoso abrigo.

A luz dos olhares que se cruzam leves e sonolentos
Deixando para depois os sonhos que tivemos antes,
Cantando canções de ninar que pedem,
Para que você fique sempre comigo.

Amor... Amor...
Dor... Dor...
Sofrimento... Prazer...
Tormento... Não há mais nada a fazer...

Ficamos surdos aos gemidos e aos gritos roucos,
Saímos do ritmo desses movimentos loucos,
A luz dos olhares se apagou com o fim da canção
Despertando nossos amores do sono doce da ilusão.

Dor... Dor...
Amor... Amor...
Lutar... Viver...
Matar... Morrer...

De que vale a vida, a comida e a bebida,
Se o verdadeiro alimento está na ferida
Aberta pelo tormento da alegria perdida?

Venha... Não saia do meu caminho...
Fique... Nunca me deixe sozinho...
Podemos estar surdos, mas para os gritos ainda temos voz,
Aprender a dançar de novo só depende de nós
E, quanto à luz do olhar,
Basta pagar a conta, que eles voltam a ligar.

Roman Lopes

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