segunda-feira, 25 de março de 2013

É nessa semana!

Nessa semana a Trupe Reticências estará em Curitiba, se apresentando no Festival de Teatro. Será uma alegria muito grande estar nesse, que é um dos festivais mais importantes do país. Quem estiver por lá, vá nos fazer uma visita. Para os amigos, pedimos muita força.

Evoé a todos nós!



quinta-feira, 21 de março de 2013

Um pequeno alívio... Em versos...


LISBELA E O PRISIONEIRO

Descobri você!
Na grande tela, um filme de amor.
E ele sentado ao meu lado.
Você está ao meu lado!
Não penso no futuro, não penso no passado.
Vivo esse momento mágico
Em que ficção e realidade se fundem,
Fazendo desfilar diante de mim
Um mundo de monstros, malandros e belas
Guiando-me em direção ao precipício do amor
Que eu percebo na maravilha do seu olhar.
Descobri você!
O sorriso delicado da princesa, a pureza mágica da fada,
A sobriedade da bruxa, a sensualidade da mulher,
A alegria da pessoa amada.
Transformo-me em deus, em demônio,
Bebo o sangue dos mortais e o néctar dos anjos.
Enfrento animais ferozes, cães raivosos,
Vôo pelos céus, escrevendo em fumaça apaixonada
O nome da beleza suprema.
O seu nome.
Descobri você!
Estava perdido pelos caminhos, perambulando sem destino certo.
Enganava a mim e aos outros,
Vendendo fórmulas de felicidade e espetáculos de sonhos.
Tudo falso!
Previ o futuro de todos e não percebi o meu,
Que acabei descobrindo no presente da sua presença.
Agora me encontro
Prisioneiro por vontade própria
Amarrado a essa presença milagrosa,
Que me liberta para voar pelo mundo mágico da felicidade.
Descobri você!
Bela, gostosa, suave.
No escuro, sob a luz do projetor,
Uma estrela de primeira grandeza, um sol.
Não sei qual será o fim do filme,
Mas o cheiro de menta e pipoca que eu passei a sentir,
Vão ficar impregnados na minha mente e no meu coração
E, mesmo que a luz acenda e a sala fique vazia,
Eu continuarei sentado, olhando para a tela
E vivendo a mais bela
Paixão.

Roman Lopes

Mais um pequeno devaneio... Dolorido...


SEU CHORO ME CONDENA

Seu choro me faz mal, mas, como seria diferente?  Eu, ser egoísta que não me contento com meu próprio choro. Condeno-me ao esquecimento porque não quero ser somente eu, quero ser todos. Condeno-me à morte, pois nenhum dos que eu sou, me é realmente.
Ser indigente, condenado. Dor redundante, lastimável... É esse o meu fim? Por que começou? Tira insondável de mim, não se junta aos outros, já não pode, mas seu choro me atormenta, seu suplício me desfaz. Quero acordar e esquecer, mas seu choro me prende ao sono eterno e exasperante, me toma e me carrega.
Arco-íris negro de amargura, sonho árduo e doloroso, seu choro me inquieta, me alerta. Já não quero mais ser eu, vou ser choro, vou ser lágrima, vou ser todos.

Jéssica Leandro

sexta-feira, 15 de março de 2013

Evento de grande importância

A convite do Hospital A.C.Camargo, a Trupe Reticências fará uma apresentação do espetáculo O HOMEM COM A FLOR NA BOCA...

Abaixo está o chamamento do hospital em sua página no facebook:

Para celebrar o Dia Mundial do Teatro, nada melhor do que assistir a uma peça! O A.C.Camargo apresenta “O Homem com a Flor na Boca” e palestra do Diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço, Dr. Luiz Paulo Kowalski. Não perca: dia 19 de março, às 18h.




Ficamos muito honrados e felizes com essa importante ação... Viva a Arte!

Quem quiser mais informações, acesse:

quinta-feira, 14 de março de 2013

Epitáfio reflexivo


QUE PAÍS É ESSE?
(UM NOVO EPITÁFIO PARA RENATO RUSSO BRASILEIRO)

Roman Lopes

Monteiro Lobato disse certa vez: “Um país é feito de homens e livros”. Somos quase duzentos milhões de homens, o que nos possibilita ser um grande país. Quanto aos livros, também os temos aos montes. Fica difícil precisar quantas editoras existem no país e quais os números exatos da produção delas. Existem, além disso, as chamadas produções independentes. O que se pode afirmar com certeza é que esse é um mercado que movimenta uma enorme quantia de dinheiro. Portanto, temos todos os elementos para sermos um grande país. Por que isso não acontece?
O nobre Monteiro, como todo bom conservador, dá ênfase aos elementos superficiais da questão, deixando os elementos essenciais fora do questionamento. Um país não é feito de homens e livros! O importante é a relação que existe entre esses homens e esses livros. Para que produzimos milhares e milhares de livros se a maioria deles vai parar nas mãos de poucas pessoas privilegiadas? E mesmo quando eles vão parar nas mãos dos não privilegiados (que são a maioria da população), não há o menor preparo para que esse material seja aproveitado em sua plenitude. Alguém pode questionar essa posição, alegando que existem os livros didáticos, que são consumidos aos montes pelas escolas. Não podemos nem iniciar uma discussão nesse sentido porque isso seria, como diríamos na linguagem popular, chutar cachorro morto. Livros didáticos não servem para absolutamente nada, a menos que consideremos enriquecer donos de editoras e sistemas de ensino uma função. E nisso eles são bem competentes!
Diante do exposto, parece claro que temos um problema! O Brasil não lê! Alguns idólatras das novas ferramentas tecnológicas podem dizer que eu estou sendo conservador, que não estou enxergando as mudanças, que existem outras formas de leitura, que todos assistem à televisão, que temos mais de cem milhões de celulares, que o acesso à internet é cada vez maior, que isso, que aquilo...
Obviamente as novas tecnologias transformaram aquilo que podemos chamar de processo de leitura. A infinidade de suportes textuais que a sociedade moderna produziu criou uma grande variedade de gêneros textuais. Hoje em dia podemos ler em qualquer lugar. Somos bombardeados a todo o momento com textos dos mais diversos. Assistimos à televisão, acessamos a internet, vamos ao cinema, ouvimos músicas em rádios e MP3, 4, 5, 6, 7... Enfim, temos uma infinidade de suportes e gêneros textuais à nossa disposição. Como é possível, então, que um Zé Ninguém como o pobre missivista dessas palavras, venha dizer que no Brasil as pessoas não lêem? Como ele pode questionar que nós temos acesso a vários gêneros textuais o tempo todo, o que faz de nós leitores... Mas espere um pouco! Quem somos nós, cara pálida?
Ainda existe no Brasil muita gente que não tem acesso a nada disso. Agora mesmo, enquanto esse privilegiado Zé Ninguém entra numa discussão consigo mesmo diante de seu computador, sentado em sua bela escrivaninha, muitas pessoas por esse país estão lutando arduamente pela sobrevivência, muitas vezes sem terem o que comer. Como essas pessoas podem pensar em leitura? Além disso, o questionamento não está relacionado à quantidade de textos à nossa disposição, pois se assim o fosse, somente os livros já seriam suficientes para me desmentir. Existem, realmente, muitas possibilidades de leituras. Porém, como é a qualidade dessas leituras? O que nós estamos lendo nesse país?
Essa é uma discussão que demandaria muito tempo, muitas missivas e muitas laudas, coisas que infelizmente eu não possuo no momento. O que parece importante salientar é que, apesar do aumento das possibilidades de leitura através de tudo o que já foi colocado, o Brasil continua sendo um país de não leitores ou, quando muito, de leitores funcionais. Isso porque o espaço onde todos esses instrumentos textuais poderiam ser trabalhados plenamente, desenvolvendo um senso de leitura verdadeiro, não atua corretamente. Estou falando da escola. Como os diversos gêneros textuais são trabalhados nas escolas? Os professores estão capacitados a lidar com essa variedade de gêneros e suportes? Ou a escola apenas reproduz a situação social maior, que é a de promover uma superficialização da leitura, seja em que gênero for, através da imposição de modelos considerados corretos? A resposta parece clara. Professores não sabem ler! Consequentemente seus alunos não aprenderão a ler. E isso é um problema gravíssimo, pois o espaço que deveria ser o centro de transformação social acaba sendo, na verdade, um espaço de desagregação social... E quanto à escrita?
Um país que não sabe ler, também não sabe escrever. Os mesmos erros cometidos pelos professores no que diz respeito ao trabalho de leitura são cometidos quando se trabalha a produção textual. Como pode um professor que não lê ensinar seus alunos a lerem? Da mesma maneira, como pode um professor que não escreve ensinar seus alunos a escreverem? Os professores de produção textual experimentam a diversidade de gêneros existentes para que possam ser capazes de trabalhá-los com seus alunos? Mais uma vez a resposta parece clara.
Portanto, meu nobre conservador Monteiro, um país não é feito de homens e livros! Um país é feito de homens que se educam mutuamente, sem nenhum tipo de hierarquização do conhecimento, sem nenhuma padronização imposta a quem quer que seja. Caso você ainda estivesse vivo, com certeza estaria escrevendo bem como sempre escreveu. Porém, é quase certo que estaria escrevendo uma novela na Rede Globo, ao lado de Glória Perez e Manoel Carlos. Ou então estaria representando o país em eventos literários internacionais ao lado de Paulo Coelho. Mas não se preocupe! Você continuaria a ser estudado nas escolas. Até os nomes citados o são!

sábado, 9 de março de 2013

Pequeno devaneio dolorido

VIOLETAS
O corpo. A carne recipiente? O lacre já se desfez e ela permanece aberta... 
Exposta. Somos por ele violadas e o deslizar evoca dor e prazer velados. Ela também me viola, aborta lágrimas dos meus olhos... Pergunto-me quem chora, se é plural ou singular. Confusa e angustiada sinto-me recipiente dos dois, das palavras da outra que tem minha voz, da ambiguidade. Enxergo-me dócil, guardando qualquer ira impalpável interior por ser vaso, terra fértil...
Recuso essas flores. Mas por quem foram entregues? 
Meus olhos selados trancaram também minha reação. Então isso era doar? Adentrada, a erupção me soava dúbia... Essa havia sido minha escolha... Dar presença a outros. Mas o que sinto? Aquilo soava revoltante, ser corpo... 
Será que a terra dói quando as flores lhe são arrancadas? 

Bianca Nuche

Versos duros

MANIFESTO DO ARTISTA CORROMPIDO
Sou artista? De qual arte?
Quais as preocupações que povoam a minha mente?
Questões sem reposta
Ou respostas que eu não queria ter
Para não precisar assumir a minha real condição.
Não faço arte!
Faço parte de jogos de sobrevivência.
Minhas preocupações são contratos, salários e contas
A receber, a pagar e a apagar.
Não lido com idéias, com imaginação,
Lido com papéis e relatórios.
Virei um burocrata perdido no meio do vazio.
Minha arte está à mercê das alianças dos donos da minha virtude.
Paradoxo do artista falido.
Sou respeitado, sou admirado, sou temido,
Fodido e bem pago.
E tudo isso para quê?
Para sustentar a vaidade dos meus semelhantes.
Para fortalecer a roda da fortuna, iludindo aqueles que estão fora dela
E tornando mais poderosos aqueles que a movimentam.
A minha arte, que já deixou de ser arte há algum tempo,
Está na corrente do senso comum.
Está servindo a sua pureza essencial em uma bandeja de ouro,
No banquete dos antropófagos,
Que se alimentam da força vital do homem,
Vomitando excrementos de sucesso e solidariedade.
Podem me dizer que minha arte serve para ver crianças sorrindo,
Mas eu não quero crianças sorrindo, quero crianças felizes.
E entre essas duas coisas existe um oceano
De jogatinas políticas e desvios educacionais.
A arte grita para mim, querendo ser verdadeira.
Eu ouço seu grito e quero gritar também.
Quero pular do alto das plataformas de petróleo
E voar no meio das nuvens cinzentas
Para esculpir raios e cantar trovões.
Quero atingir o sol e queimar o seu calor com a minha paixão.
Quero perfurar a atmosfera como um meteoro enlouquecido
E mergulhar em um rio poluído,
Para fazer parte da verdadeira merda da vida.
Porque, nessa minha arte atual,
Até a merda que me dão é falsa.

Roman Lopes

terça-feira, 5 de março de 2013

Uma Alice imaginária...

Fui assistir ao espetáculo UMA ALICE IMAGINÁRIA, apresentado pela Cia. dos Imaginários e não poderia deixar de escrever alguma coisa...


UMA ALICE IMAGINÁRIA, UMA BATALHA REAL

Sinais sonoros e somos engolidos pelo escuro... Silêncio... Luzes piscando e uma criança brincando... Sons estranhos nos remetem ao passado... Somos levados a um ambiente seco, que lembra muito as estranhas salas dos tribunais kafkianos... Pessoas grotescas e brutas falam sem parar, gritando números sem sentido e palavras de ordem lançadas no vazio... Tudo muito rude e violento...
Mas tem uma criança brincando...
Das caixas neutras que habitam a secura do lugar começam a sair objetos que transformam as pessoas brutas em seres mágicos... Mas elas continuam grotescas...
E a criança continua brincando...
As lembranças saltam continuamente das caixas, colorindo o ambiente com a infância distante... A criança que brincava começa uma jornada a um mundo mágico, que ela não lembra, não sabe se conhece... As criaturas magicamente transformadas alternam depressões, iras, desesperos e alucinações... A criança não entende nada e quer ir para algum lugar, quer seguir por algum caminho... “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho é válido”...
Sorrisos travessos-maléficos lampejam pegadas dos caminhos não percorridos, mas sofridos... E a criança vai, aos poucos, nos mostrando o quanto os sonhos podem ser assustadoramente doces...
Onde estamos? Nos porões do castelo do ressuscitado agrimensor? Ou no limbo espiralado beckettiano?... Será que importa onde estamos?...
Alice se perde nos turbilhões de uma luta ingrata e nós somos levados com ela... Estamos perdidos... A infância nos é arrancada, não temos escolha... Tudo se transforma em caixas secas no sótão das lembranças fugidias... Quem morreu?... A rainha?... A infância?... Ou a própria energia da vida?
Alice não está mais entre nós... É apenas uma projeção de um fio de memória frágil... Ela seguiu o seu caminho, o nosso caminho... E nós não tivemos a capacidade de acompanhá-la...
A luz acende, a escuridão se esvai diante de todos nós... Ela vai habitar o fundo da nossa alma... Alice vai junto, dividida em pequenos pedaços de nostalgia angustiada... Nunca mais seremos os mesmos...
Só nos resta tomar um chá alucinógeno com Lewis Carrol e fingir que tudo está no seu devido lugar...

Roman Lopes

Para quem quiser conferir o espetáculo, o próximo final de semana será o último...
Não percam a chance!

Uma Alice Imaginária
Teatro Cacilda Becker
Rua Tito, 295 - Lapa
Tel.: (11) 3864-4513
Sexta e sábado, às 21h; domingo às 19h
Espetáculo livre
Em cartaz até 10/3/2013
Ingressos: R$ 10,00

segunda-feira, 4 de março de 2013

Pequeno devaneio colorido... Sem cor...

Aurora

Cores resplandecentes dançam em um mundo paralelo, todas juntas se misturam, criam uma.
Recém-nascidas se deslumbram. Saltitantes vão cantantes.
Uma a uma se dividem, se omitem.
Fascínio vago e exacerbado rouba vidas, cria rimas.
Dor calada que há em mim, cifra d’água jaz em ti.
Canção morta de onde vai florescer rosas banais.
Corcel vivo e destemido galopeia sem sentido.
Perdição cantarolada ao cavalo de batalha.
Memorável esquecimento faz nascer contentamento.
Sordidez inalterada pelo corte da navalha.
Dor conjunta de outra hora vem trazer a nova aurora.
Tons serenos em conjunto glorificam o novo mundo.



Jéssica Leandro



Poesia em gotas


Céu sujo

Pedaço de céu arqueado
Jogado às valas imundas
Um brilho de sol contornado
Pelas mais transitórias figuras
Tem-se o cigarro passado
O asfalto de cruzar
O espelho molhado
E o olho, a fitar



                                                     Despejando

                                                     Eu acho, acho, acho
                                                                          achoachoachoa
                                                                                       choachoachoac
                                                                                              Chuá Chuá Chuá Chuá…


A Desconjuntada

Comece a gritaria
Lá vem a hierarquia
Derivada da agonia
Por ter sinistra filha
Lá vem a razão
Destilando seu sermão
Sobre como ganhar pão
E viver a vida em vão
Faltam argumentos
Sobra a dor e os lamentos
De um viver sem sentimentos
De um amar de documentos



                                                                                           Oscilando

                                                                                           Minha garganta se firmou
                                                                                           Em nó de pescador
                                                                                           Anda difícil desatar
                                                                                           Minha mente de seu olhar
                                                                                           Anda difícil ignorar
                                                                                           Esse sentir visto com pesar
                                                                                           Vejo-me à deriva
                                                                                           A mar

Bianca Nuche


sábado, 2 de março de 2013

Reticências no Festival de Curitiba

É com muita alegria que anunciamos a nossa participação no Festival de Teatro de Curitiba esse ano...

Quem estiver por lá, compareça... Quem não estiver, torça por nós...





































Compartilhem e ajudem a divulgar o nosso trabalho

Aproveitando o espaço para dizer que saiu uma matéria sobre a nossa participação no Festival no jornal Diário de Guarulhos do dia 01/03... Quem quiser conferir basta clicar no link abaixo: