sábado, 9 de março de 2013

Pequeno devaneio dolorido

VIOLETAS
O corpo. A carne recipiente? O lacre já se desfez e ela permanece aberta... 
Exposta. Somos por ele violadas e o deslizar evoca dor e prazer velados. Ela também me viola, aborta lágrimas dos meus olhos... Pergunto-me quem chora, se é plural ou singular. Confusa e angustiada sinto-me recipiente dos dois, das palavras da outra que tem minha voz, da ambiguidade. Enxergo-me dócil, guardando qualquer ira impalpável interior por ser vaso, terra fértil...
Recuso essas flores. Mas por quem foram entregues? 
Meus olhos selados trancaram também minha reação. Então isso era doar? Adentrada, a erupção me soava dúbia... Essa havia sido minha escolha... Dar presença a outros. Mas o que sinto? Aquilo soava revoltante, ser corpo... 
Será que a terra dói quando as flores lhe são arrancadas? 

Bianca Nuche

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