sexta-feira, 24 de maio de 2013

Versos simples... Apenas um aquecimento!


                                                   TAO

Ando pela rua,
Isso é real.
Olho para a lua,
Ela é real.
Brinco com um cão,
Ele é real.
Sinto uma paixão,
Ela é real.
Tudo é real,
Real também é o nada.
Real é a figura pintada,
A perna quebrada,
A vida sonhada,
A fantasia rasgada.
Ando pela rua,
Isso é ilusão.
Olho para a lua,
Ela é ilusão.
Brinco com um cão,
Ele é ilusão.
Sinto uma paixão,
Ela é ilusão.
Nada é ilusão,
Tudo é ilusão.
Um vazio no coração
Ou uma grande paixão.
Um amigo de verdade
Ou a própria inimizade.

                                  Real e irreal,
                                     Comum e especial,
                                    Tudo isso é diferente,
                                      Tudo isso é igual.


Roman Lopes

domingo, 19 de maio de 2013

Inscrições encerradas!... Sucesso e qualidade...

Estamos informando a todos que as inscrições do nosso I SARAU POÉTICO VIRTUAL “RETICÊNCIAS EM VERSOS” foram encerradas...

Recebemos 165 trabalhos, escritos por 49 poetas de várias partes do país e também do exterior. Foram 13 estados brasileiros, representados por 39 municípios diferentes. Além disso, recebemos poemas de outros 2 países, Portugal e Moçambique...

Ficamos muito felizes com o resultado, não só quantitativo, mas também com a qualidade dos poemas enviados, mostra de que a Poesia está mais viva do que nunca...

No dia 07/06, conforme consta no edital, publicaremos a revista virtual com os 20 poemas escolhidos...

Agradecemos a todos os poetas que nos deram a honra de conhecer os seus trabalhos e esperamos que essa seja a primeira de muita edições do nosso sarau...

Abaixo uma lista com todos os poetas que estão participando

SÃO PAULO
Lucas Limberti – São Paulo
Guacira Gonçalves Maffra – São Paulo
Leônidas de Souza – São Paulo
Diego de Souza Santana – São José dos Campos
Ralph da Silva Guerrero – Guarulhos
Gabriela dos Santos Oliveira – Guarulhos
Bruno Bennedetti – Guarulhos
Sandro Sansão da Silva Costa – Miracatu
Antônio Pereira Alves – São Bernardo do Campo
Lucas Jonas Fernandes – Orlândia
Geraldo Trombin – Americana
Edvaldo Fernando Costa – Osasco

RIO GRANDE DO SUL
Roberta Garcia da Costa – Porto Alegre
Alessandra Figueiró Froener – Porto Alegre
João Batista da Silva – Caxias do Sul
Marcos Freitas Bandeira de Gouvêa – São Francisco de Paula
Uillian Leonardo Rodrigues Peiche – Alegrete
Roque Aloisio Weschenfelder – Santa Rosa

MINAS GERAIS
Celso Ricardo de Almeida – Fervedouro
Pedro Gonçalves Dias – Monte Azul
Francisco Ferreira – Betim
Fábio Batista de Almeida – Belo Horizonte
Fernanda Resende Ramos – Uberlândia
Roberto Moura De Souza – Governador Valadares
Amélia Luz – Pirapetinga

RIO DE JANEIRO
Felipe Costa Sena da Silva – Seropédica
Rafaela Gomes Figueiredo – Pechincha
Marcelo Gomes Jorge Feres – Rio de Janeiro
Diógenes da Silva Severino – Rio de Janeiro
Bárbara Soares Pinheiro Souza – Rio de Janeiro

SANTA CATARINA
José Leite da Silva – Florianópolis
Júlia Souza da Silva – São José
Glauco Paludo Gazoni – Chapecó

RIO GRANDE DO NORTE
Mateus Felipe Barbosa de França – Mossoró
Irismarqueks Alves Pereira – Parazinho
Ray Lima – Natal

BAHIA
Robinson Silva Alves – Coaraci
Marcelo de Oliveira Souza – Salvador
Diórgenes Maicon Alves de Souza – Jequié

PERNAMBUCO
Carlos Jones Bezerra Cintra – Petrolina
Ana Paula Moraes Canto de Lima – Recife

CEARÁ
Karline da Costa Batista – Aracati

PARAÍBA
Manoel Messias Belisario Neto – João Pessoa

GOIÁS
Eduardo Cruvinel de Castro – Goiânia

TOCANTINS
Ricardo Giovanni Carlin – Palmas

DISTRITO FEDERAL
João Elias Antunes de Oliveira – Taguatinga

PORTUGAL
Emílio Gouveia Miranda
Nádia Cristina Gomes de Matos

MOÇAMBIQUE
Sabino Muchanga



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Devaneio pedagógico

ACORDA, ONÇA!

Os alunos de uma sala de aula não formam um grupo homogêneo, apesar de a estrutura escolar tentar provar o contrário. Muitos indivíduos diferentes habitam esse mesmo espaço (no caso das escolas públicas, muitos mesmo). Mesmo com idades próximas e condições sociais semelhantes (será mesmo?), os alunos de uma sala de aula são indivíduos diferenciados. Portanto, parece ilógico falar em homogeneidade nessa situação. 

A situação acima exposta é importante para iniciar uma reflexão sobre o trabalho com variação linguística em sala de aula. A simples impossibilidade de existência de uma verdadeira homogeneidade em sala de aula já seria suficiente para justificar o trabalho com a variação linguística, uma vez que somente assim o professor contemplaria a variedade de pensamentos e formas de expressão que esse grupo heterogêneo criaria. Portanto, essa missiva poderia ser encerrada agora, pois qualquer colocação feita a partir desse momento representará uma redundância, uma vez que a importância do estudo da variação linguística já está mais do que provada. Porém, como esse humilde missivista adora, como diz o ditado, “cutucar onça com vara curta”, vamos continuar... 

A Sociolinguística Variacionista, iniciada por Labov coloca que a língua não pode ser desligada da sociedade na qual está inserida e que, por isso, para estudar essa língua, é necessário também que essa sociedade seja estudada, para que possam ser estabelecidas todas as influências sociais na língua e vice-versa. Além disso, ela também coloca que as mudanças ocorridas na língua no decorrer do tempo são influenciadas por fatores sociais e ocorrem de maneira gradual. Por isso, o estudo de qualquer língua deve estar relacionado a um estudo profundo e sistemático da comunidade linguística a qual essa língua pertence, sendo esse estudo capaz de contemplar todas as variações que podem ocorrer dentro dessa comunidade, por mais difícil que isso possa parecer. 

Essa é a nossa realidade? Infelizmente não! Por mais repetitivo que pareça, é necessário insistir que o estudo de línguas na sala de aula está muito distante de uma situação satisfatória. O simples fato de os alunos serem tratados como iguais mostra a incoerência existente. Cada aluno tem uma história de vida diferente, o que representa uma forma de expressão diferente também. O professor deveria aproveitar essa diversidade como uma fonte riquíssima de material de aula. Utilizar textos dos alunos como material para o ensino da língua, deixando de lado os livros didáticos que não servem para absolutamente nada. Utilizar outros textos pesquisados pelos alunos, retirados de livros, peças publicitárias, jornais, televisão. Pedir aos alunos que entrevistem pessoas na rua, em casa. Interagir com outras comunidades linguísticas para entender as diferenças. Tudo isso proporcionará um estudo rico e fundamental para o conhecimento da língua e sua inserção na sociedade, contemplando verdadeiramente a variação linguística existente e por existir... Mas será que isso é suficiente? Talvez não! Por isso, cabe ao professor preparar-se para mais. Não existe fórmula! O importante é o professor saber aonde quer chegar e criar o ambiente necessário para atingir seus objetivos. Ser criativo, não agir de forma autoritária, inventar sempre coisas novas, buscar materiais diferenciados, sempre retirados do cotidiano do aluno. E, acima de tudo, entender de uma vez por todas que a chamada norma culta é simplesmente mais uma forma de utilização da linguagem, mas que não é a mais correta e nem a mais importante. Somente assim o estudo de línguas na sala de aula pode utilizar realmente os princípios da Sociolinguística Variacionista e toda a sua riqueza teórica no que diz respeito à variação linguística. 

O maior problema é que esse parece um caminho distante. Os professores, em sua maioria, sequer pensam na variação linguística, reproduzindo a ideia incoerente e ultrapassada de que existe uma norma a ser obedecida no uso da língua, distanciando a mesma do aluno, impedindo-o de se reconhecer como ser produtor de linguagem. O resultado disso é o que qualquer pessoa que vive no ambiente escolar já sabe: os alunos não gostam de estudar línguas, pois não percebem o sentido de saber as regras impostas por essa norma. Os alunos ficam cada vez mais distantes, pois para eles existem duas línguas, a dele mesmo e a que é ensinada na escola, que não tem nenhuma relação com ele. Quando esse absurdo vai acabar? A resposta é simples: quando os professores estiverem preparados para aquilo que deveria ser natural no exercício de sua função, qual seja, criar as condições reais de aprendizado para todos os seus alunos... Algumas indicações já foram dadas. Muitas outras podem ser criadas. Basta um pouco de competência e boa vontade... 

Sabe o que é pior? As onças estão sendo cutucadas e não esboçam nenhuma reação. Continuam dormindo em suas jaulas de zoológico, esperando apenas pelo alimento, como se isso fosse o bastante para que elas sejam felizes. Como seria bom se elas atacassem!

Roman Lopes