sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Pequenos devaneios...

O despertar

Sangue… uma gota de sangue emerge à superfície e serpenteia pelas bochechas alvas até finalmente suicidar-se no limite do queixo. E outra e mais outra e mais outra…
Ela finalmente volta à realidade ao ver o brilho rubi borrar sua visão. Levanta lentamente sua mão trêmula para encostar no líquido vermelho e constatar seu estado de espírito.
Mais uma vez ela ergue os olhos negros - tão intensos, tão cheios de mistérios - e descobre o mundo à sua volta.Céu cinza, árvores retorcidas, grama verde e dois balanços, um ocupado por ela e o outro vazio. O lugar era conhecido, não na memória, mas no coração.
Mas será ele passado? Ou será futuro? O presente não é com certeza, seu presente era vazio. Mas o presente é o que está acontecendo, então seria este o presente, e o vazio passado? Ou seria tudo isso uma visão do futuro no presente? Ou melhor, passado? Ela suspirou compreendendo finalmente: o tempo não existe.
Fitou o balanço ao seu lado, seu coração dizendo que nem sempre esteve vazio. Um dia ela teve companhia, ela sempre a teria. Um ritmo energético dominou o lento compassar de seu coração, e suas asas há muito mortas, renasceram. Rasgando sua carne e se esticando em suas costas. Asas negras que contrastavam com a brancura de sua pele. Ressaltando sua beleza sombria.
-Onde ele está?
E a vida lhe pediu paciência. Assim como ela, ele deveria reaver suas asas, seu coração. Ela tomou um impulso e começou a balançar.
-Tudo bem! Eu espero ele chegar.

Carolina Orellana