quinta-feira, 21 de março de 2013

Um pequeno alívio... Em versos...


LISBELA E O PRISIONEIRO

Descobri você!
Na grande tela, um filme de amor.
E ele sentado ao meu lado.
Você está ao meu lado!
Não penso no futuro, não penso no passado.
Vivo esse momento mágico
Em que ficção e realidade se fundem,
Fazendo desfilar diante de mim
Um mundo de monstros, malandros e belas
Guiando-me em direção ao precipício do amor
Que eu percebo na maravilha do seu olhar.
Descobri você!
O sorriso delicado da princesa, a pureza mágica da fada,
A sobriedade da bruxa, a sensualidade da mulher,
A alegria da pessoa amada.
Transformo-me em deus, em demônio,
Bebo o sangue dos mortais e o néctar dos anjos.
Enfrento animais ferozes, cães raivosos,
Vôo pelos céus, escrevendo em fumaça apaixonada
O nome da beleza suprema.
O seu nome.
Descobri você!
Estava perdido pelos caminhos, perambulando sem destino certo.
Enganava a mim e aos outros,
Vendendo fórmulas de felicidade e espetáculos de sonhos.
Tudo falso!
Previ o futuro de todos e não percebi o meu,
Que acabei descobrindo no presente da sua presença.
Agora me encontro
Prisioneiro por vontade própria
Amarrado a essa presença milagrosa,
Que me liberta para voar pelo mundo mágico da felicidade.
Descobri você!
Bela, gostosa, suave.
No escuro, sob a luz do projetor,
Uma estrela de primeira grandeza, um sol.
Não sei qual será o fim do filme,
Mas o cheiro de menta e pipoca que eu passei a sentir,
Vão ficar impregnados na minha mente e no meu coração
E, mesmo que a luz acenda e a sala fique vazia,
Eu continuarei sentado, olhando para a tela
E vivendo a mais bela
Paixão.

Roman Lopes

Mais um pequeno devaneio... Dolorido...


SEU CHORO ME CONDENA

Seu choro me faz mal, mas, como seria diferente?  Eu, ser egoísta que não me contento com meu próprio choro. Condeno-me ao esquecimento porque não quero ser somente eu, quero ser todos. Condeno-me à morte, pois nenhum dos que eu sou, me é realmente.
Ser indigente, condenado. Dor redundante, lastimável... É esse o meu fim? Por que começou? Tira insondável de mim, não se junta aos outros, já não pode, mas seu choro me atormenta, seu suplício me desfaz. Quero acordar e esquecer, mas seu choro me prende ao sono eterno e exasperante, me toma e me carrega.
Arco-íris negro de amargura, sonho árduo e doloroso, seu choro me inquieta, me alerta. Já não quero mais ser eu, vou ser choro, vou ser lágrima, vou ser todos.

Jéssica Leandro